poeta Nunes

sábado, 30 de março de 2019

Subjugado

Sou fruto de um descuidado da morte,
Uma obra iniciada pela sorte,
Ou, que é mais provável,
Um desprezo do mundo e do destino,
Que me julgou indefeso  e inútil.

Eu não fui contado na agenda desse tempo,
E displicente como um vulcão adormecido
Que desperta em quanto todos dormem
E cobre a cidade de poeira e luto.


E como um prisioneiro de guerra,
Um escravo bondoso e agradecido
Que acorda no meio da noite,
Leve como o vento envenenado,
Mata os donos da casa.

Mais traiçoeiro que o cavalo de tróia.

Me foi negado as facilidades para a batalha,
Mas algo saiu do controle,
Contei com a lei que rege o caos,
E estou de pé,
Sou o cavalo azarão...
Sou aquele que teve que começar sem Qualquer  possibilidade de vencer.

Tenho mais vontade para a luta
Que a vontade do adversário
Em se apresentar para a batalha comigo,
Eu estou mais forte que o combate
Que a  vida coloca ao meu dispor,
Estou ansioso para a guerra.

J.Nunes

Dança ao som do silêncio

Cidade de Marília : José Nunes Pereira

Cidade de Marília : José Nunes Pereira: José Nunes Pereira,  editor dos blogs:  Blog Cidade de Marília, Citações para trabalho acadêmicos e Artigos Imparcialista,  professor...

Compreensão holística de Deus

A minha poesia terá o suspiro da morte
A loucura dos buscadores de um Deus que habita o silêncio
E a plenitude de um estado de alma.

Será muito difícil compreender essa poesia 
Que engolirá tudo que é sagrado no mundo,
Uma literatura que se entenderá ao rincões do universo
E fará do mundo espiritual uma coisa só
Com essa  compreensão holística de Deus.  

Sou um esfomeado das coisas de Deus...
Experimentei de suas delicias na alma
E não posso mais deixar,
Ou até mesmo negar que ele 
Está muito além do que pensamos dele.

Sua mística não pertence a essa ou aquela religião,
Sua mistica é o sopro da criação 
Que respiramos e nos sufocamos de tanto amor por ele. 

Ele não é o conceito que formulamos dele,
Estou livre no ar e no seu oceano de amor por todas as criaturas.


José Nunes Pereira 

terça-feira, 26 de março de 2019

A igreja de São Francisco

Foram lágrimas incontida
Enquanto esperava à porta 
Do templo franciscano.

Entrei na fila onde estavam esperando
Para entrar no templo

No caminho o monge
De habito franciscano,
Um homem de altura mediana,
Olhos e cabelos claros
E cerca de quarenta anos,
Disse sem nem uma cerimônia,
Que  eu deveria  ficar
Por quatorze anos
No templo de São Francisco.

Entrei na fila para entrar no templo,
Homens e mulheres bem mais velhos
Esperavam...
Enquando esperava,
Lembrei que por mais de vinte anos
Andei sem rumo nesse mundo,
Não pude me conter de felicidade e
Chorei de contentamento. 

José Nunes 

domingo, 24 de março de 2019

Coisa sorrateira



Guardarei a vida em silêncio,
Sou a flor fruto do lodo,
Sou um vacilo da lei,
Sou a sorte de estar vivo...
Sou a semente
Que cai na rachadura do asfalto.

Eu não estava no roteiro do mundo,
Não fui agendado para a vida
Sou aquilo que deu errado
Mas foi aproveitado para alguma coisa.

Peço perdão ao criador,
Mas um Querubim me deu á força descomunal e pude sobreviver ao destino.

Não estou na agenda do mundo
Por isso eu peço misericórdia
Aos seres de luz,
Peço que ignorem minha existência
E me deixe viver no desterro do
Mundo, num canto escuro,
Nas ruínas de uma casa abandonada.

Eu  sou o aborto da lei e da natureza,
Sou o que deu errado,
Mas que sobreviveu ao mundo.
O carrasco, o verdugo, o carcereiro
Vacilou, a corda ao pescoço ficou frouxa,
E escapei da morte.

Sou aquele cachorro de rua,
Doente e cheio de sarnas,
Esse cachorro magro
E esfomeado chutado das portas dos mercados.
Sou esse cachorro de rua
Que sobreviveu ao frio, a fome e a morte.

Fui esse cachorro de rua implorando
Sua atenção, sobrevivi ao desprezo,
Agora peço que por misericórdia
Me deixe sobreviver com os restos de comida que eu pego do vosso lixo.

Sou a caça que se fez de morta,
Agora vivo e escolho esse caminho
Que não era o meu caminho.

Peço aos seres de luz
Que não  me tire essa chance
Que ganhei por uma vacilo
Do destino, que já teve sua chance
De por um fim na minha vida.

Eu sou um pequeno erro de cálculo,
Sou a coisa sorrateiro que cresceu nos escombros e longe dos olhos do mundo.

Sou Ismael e sua mãe
Deixado para morrer no deserto.

J.Nunes

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