poeta Nunes

sábado, 6 de julho de 2019

Gêmeos em Vênus

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Gêmeos em Vênus 

Seu sorriso fácil,
Seu olhar solto no espaço,
Seu ouvido capitando a boa conversa,
Seus gestos contidos e elegantes,
Sua voz colocando cada palavra,
Os amigos rindo de suas histórias...
Todos apreciavam sua presença
O seu humor, a sua alegria de viver....
E o seu cuidado com todos.

Foi isso que me matou...
Dentro de mim o ciúme, 
Feito um cão faminto,
Mastigava meu coração...

Demorei muito para compreender
Que seu amor é qualquer coisa delicada e bela, 
Que seu amor é um passarinho 
Que não sabe viver e cantar dentro de gaiola. 

Eu quis te prender...
Dizer que é do meu jeito...
Coisa que você jamais diria.

Eu quis te torturar até que dissesse que me ama,
Eu quis dizer para onde ir, 
Escolher os seus amigos,
O que vestir e com quem falar;
Coisa que você jamais faria. 

Precisei te ver em outros braços,
Precisei te perder 
Para saber como  te ganhar.

Ele fez tudo diferente do que eu fiz,
Parece que, sorrateiro, aprendeu com meus erros:
Te apreciou como uma obra dos deuses,
Te olhou com admiração,
Porém jamais te bajulou,
Foi franco e muito claro,
Sorriu com você,
Te saboreou feito vinho de safra rara,
E te apreciou com toda a delicadeza do momento,
Não te prendeu,  gostava do seu papo cabeça,
Dos momentos sem grandes propósitos...
Dos seus amigos 
E ainda admirava seu cuidado com todos. 

Só posso admitir que sofro
Vendo os dois parecendo cisnes brancos
Exibindo o seu amor invejado por mim. 

Só posso admitir a derrota,
Confessar que eu não soube apreciar
A sua leveza e a sua elegância 
Mesmo quando me dizia: 
_Você tem que mudar...
Eu ainda sou incapaz de te ver assim 
Tão leve  tão solta...

Com você é outro jogo...
Foi assim que ele te ganhou
Foi assim que te prendeu 
Te deixando livre para ir embora.

Admitir que perdi,
Confessar que errei,
É ao menos uma saída nobre...
Mas não alivia o sentimento de fracasso. 

José Nunes Pereira




quinta-feira, 4 de julho de 2019

Evaporação


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EVAPORAÇÃO 
Evito suspirar profundamente
Para não correr o risco de engolir o universo...

Evito suspirar profundamente
Para não aspirar minha própria existência...

Evito te amar o quanto sou capaz
Para não te sufocar...

Evito cuidar de você o tanto que gostaria
Para não te prender em minha teia,

Procuro não me aproximar do portal
Para não ser engolido pela outra dimensão...

Evito ficar muito tempo em silêncio
Para não me evaporar num mundo atômico...

Trago o silêncio e a solidão sobre controle,
Trago pensamento à  mente enquanto ando,
Para não ser engolido por um mundo quântico.

Evito mostrar o quando compreendo e sou forte
Para não parecer frio.

Evito te olhar por muito tempo
Para não ser engolido por sua alma...
Para não entrar nos seus labirintos de medo.

Evito e controlo o quanto minha alma é incandescente
Para não incendiar meu próprio corpo
Ou destruir tudo a minha volta.

Eu me dou ao mundo e a mim mesmo em gotas
Para não morrer de overdose de alma.

Eu me prendo a você
Para não ser levado pelas ondas e o vento forte.

Sou igual ao vulcão traiçoeiro
Que parece dormir na paisagem bucólica e fresca.

Tenho me prendido ao mundo da matéria
Feito um balão amarrado a uma cadeira. 


Minha alma é um barco ancorado
Para não se perder nessa imensidão azul.

José Nunes Pereira 

quarta-feira, 3 de julho de 2019

E você não me vê...


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E você não me vê....

Passo todos os dias a sua porta,
Mas você não debruça na janela para me ver passar,
Nunca abriu a janela para me ver passar...

Nem sequer me deu um olhar 
Para que minha vida ganhasse um rumo,
Nem mesmo um sorriso para que eu morre por você...

Não ouvi um suspiro seu 
Que fosse por mim,
Para que minha ilusão  ganhasse sentido...
Sinto você tão distante 
Que não me dou o direito de sonhar. 

Eu suspirei por você
Como quem volta a vida quando te olha. 
Enfeitei a casa, fiz a barba,
Escancarei portas e janelas
Para você entrar com um sol da manhã...

Chamei por você como quem pede por piedade.
Chorei todas as vezes que você me negou um olhar,
Tentei falar... mas você não se importa,
O vento que passa e bate a sua porta
Chama mais a sua atenção que quando eu passo. 

Como se eu tivesse te perdido,
Te procurei na noite assustadora 
Nos dias de sol escaldante...
E me despertei feito  quem descobre que é um sonho.

Não sei como preencher meu dia,
Tudo que sei é que não há caminho,
Se você não me olha.
Desci as ruelas de homens desvalidos,
Morei entre os viciados, 
Estou morrendo entre os condenados,
E você não me vê...

Fiz de mim um abandonado,
Vesti, sujei  esse sentimento sublime 
Com o vício e o pecado
Para não ter que suportar 
A a sua presença de anjo. 

Ah!  se você me dar um sorriso, um olhar...
E se abrir os lábios para falar comigo
Como quem puxa conversa...
Eu fico despido de alma,
E sem reservas te entrego a minha vida...
Fico a seu dispor feito um servidor fiel,
Um amor que não existe sem a outra metade,
Feito essa lua que não se vê a outra face. 

Porque você não me vê....
Eu não existo. 
Conheço o paraíso eu sou um anjo caído,
E me foi negado o seu amor supremo...

José Nunes Pereira

terça-feira, 2 de julho de 2019

A MÍSTICA



Mística

Um desejo de distância,
Uma vontade de silêncio e solidão...
Um querer estar nesse mar de amor místico e religioso...
Um desejo de estar contigo nessa solidão e nesse silêncio a dois.

Distancio de tudo e de todos pelo nosso amor
E o meu desejo de estar junto a ti e a sós.
Compreendo o burburinho do mundo e das pessoas,
Mas eu provei do seu amor e de seus mistérios,
Não posso mais viver sem ti,
Minha amada mística.

J.Nunez

Casualidades

02 - Glenfinnan Viaduct, Scotland


CASUALIDADE

“Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!”   Mateus 10:29-31

Casualidade!?...
Sou mais denso que o aço..
Em outros momentos mais leve que o ar,
Meu coração é profundo demais,
Minha mente é atômica demais,
Meu sangue é muito quente,
Minha alma é romântica demais
Para amizades e amor casuais;
Meus olhos são muito aguçados,
Meu ouvido muito apurado,
Minha voz é muito expressiva,
Meus gestos muito apaixonados,
Minha amizade muito verdadeira,
Meus espírito é um vulcão preste a explodir,
Uma bela flor pronta para desabrochar;
Minhas palavras são sobre medida,
Imparcial como mundo e comigo mesmo,
Meus destino é uma flecha,
Meu mapa astral parece mais 
A composição de uma bomba nuclear...
Meus espírito mais expansivo que o universo, 
Não espere de mim casualidade....
Não nasci para um tempo de acasos.
Somos todos pontes e sinapses de almas e corpos...
Tudo está regido por leis e forças...
Tudo está preso a terra por um fio invisível. 

José Nunes Pereira 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Um campo de flores



A alma é um campo de flores ainda não desabrochadas,
As flores da alma desabrocham no sol da manhã,
No canto dos passarinhos,
No canto das águas,
No canto do vento nas folhas...
E até no olhar e no sorriso puro e amoroso.

Desabrochar as flores da alma
Custa amor, humanidade e simplicidade,
As flores da alma tem o perfume das virtudes e dos dons de Deus,
Para desabrochá-las é preciso morte das imperfeições.

É laborioso o desabrochar das flores,
A beleza esconde o supremo sacrifício que é desabrochar,
Dançar leve feito uma pequena bailarina,
Um dançarino Dervixe Rodopiante,
Uma tribo de aborígene dançando em círculo,
Um monge num oração monóloga
Que cala a mente e se embriaga de Deus.

As pedras preciosas da alma
Precisam de fogo, polimento e debaste...
As cores estão encobertas na sombra,
As virtudes estão encobertas
Por essa casca grotesca da personalidade,
Do apego e da mente.

Rumi foi o poeta embriagado de Deus,
Sigo os passos de Rumi, me embriago de Deus.

José Nunes Pereira

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