poeta Nunes

sábado, 20 de julho de 2019

A Cabeça do Dragão




Cauda do Dragão:
O caminho era outro...
Eu vinha solto ao vento,
Por estradas, desvios e bifurcações,
Nas palavras nem um compromisso,
O sorriso também era fácil,
A conversa era fútil,
Frouxo e instável na moral,
O amor era sem compromisso,
Todo o lugar era porto de partida,
Não havia com quem me preocupar,
E nem quem comigo se preocupasse.
Forasteiro em todas as cidades,
Pronto para amar
E deixar quando me sentia preso,
Viciado em tudo que faz esquecer,
Solta, relaxa e descontrai ainda mais.

Cabeça do Dragão,
Senhor do Tempo na casa do Verbo,
Senhor dos Mares na casa da morte;
O caminho agora é reto,
Sou sério com as palavras,
Sem falas tolas e vazias,
Me importa cumprir com o que foi tido,
O que digo e faço tem que ter alvo,
Feito a fecha do Centauro,
O que penso e sinto tem filtro,
Não me deixo solto nos pensamentos,
O compromisso fala mais alto que o amor,
O compromisso é mais forte que a emoção,
O verbo é  sagrado
E o tempo tem que ser fértil.

José Nunes Pereira











sexta-feira, 19 de julho de 2019

Muito perto sonho...




Estou muito perto do sonho,
Por isso parecia melancólico
Dizer que a vida é ilusão,

Mas ao pé do mar revoltado,
Na concretude das formas,
Na xícara de um café levemente amargo,
Na abstração do pensamento,
Apreciando a fera negra enjaulada,
Vendo os sete tornados de longe,
Me segurando á beira do abismo,
Nessa lua concreta e subjetiva,
E não chegando muito perto do fogo...

Compreendi que a vida
É perigosa e magnética...

É preciso se segurar
Na consciência de si,
Para não ser levado
Pela rodas das ilusões
E dos sonhos
Que nascem na mente
E nos pensamentos
Que se parecem com tropas
De cavalos monstruosos e descontrolados,
Zumbis devoradores de zumbis.

Por fim, a ilusão é o pensamento
Involuntário e essa ilusão
De estar no Controle da vida e do destino.

É preciso suspeitar
Que força e leis ocultas
Nos regem...

José Nunes Pereira




quinta-feira, 18 de julho de 2019

O menino espera o vento.



Sincronicidade

O menino espera o vento,
O barqueiro conhece o tempo
E sabe a hora de ir para o mar,
Os pássaros sabem a hora
De partir e pousar...

Estou aprendendo a dançar
No ritmo da música,
E a cantar no tempo das notas...

Estou aprendendo a pousar,
Eu que só sei partir e voar.

Estou aprendendo o ritmo
Da vida, o tempero da vida,
O ponto de evaporação,
O tempo de preparo,
O tempo de maturação,
A força necessária,
O tempo do outro,
A hora de calmaria e sono
E quando é hora de silêncio.

Eu já sei partir,
Agora estou aprendendo
A ficar e a esperar a hora certa,
A apreciar o caminho,
O compasso da vida,
O ritmo da vida,
E a sincronia com o destino,
A vida e a natureza.

O rio não corre mais depressa
Só porque o barqueiro tem pressa.

José Nunes Pereira





quarta-feira, 17 de julho de 2019