poeta Nunes

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Talvez seja pena e não espada


Igual touro de arena
Lutaremos até a última gota de sangue,
Ou nos deixaremos abater feito
Um animal velho e cansado
Que em paz recebe a morte.

Depois da tempestade,
Da grande catástrofe;
Agora que foi tudo ao chão,
Vamos ver o que dá para aproveitar.

Feito crime descoberto,
Confessamos o resto
É vamos esperar a sentença do juízo final

Já que o buraco está feito
Cavaremos até onde for preciso,
Já que o caminho foi começado
Iremos até fim.

Já que embrenhamos no mato,
Vamos desbravar até a clareira,
Já que estamos sujos
Vamos cavar fundo,
Já que caímos no mar
Vamos navegar até o desconhecido.

Se é para ser minucioso
Vamos além do átomo,
Se é para ir longe
Expandiremos junto com o universo.

Se for amor será à preço de sangue
Ou será uma distração preguiçosa.
Se for compaixão, custará uma vida,
Ou será indiferente e frio
Como um mármore de sepultura.

Já que começamos a falar,
Vamos por todas as cartas na mesa,
Porque o silêncio está tão perto
Que quase escuto seu chamado,
Estou muito próximo
De me calar feito um morto...

Já que me calei só me procure
Em minha solidão se for para saber mais...
Sobre o silêncio

Já que me abandonou
Pode me deixar aqui...,
Me viro bem no deserto e na escassez,
Eu sei me alimentar de solidão,
Eu começo o El Dorado da alma.

Sem esse extremismo
Talvez seja tudo tão suave
Feito chuva fina num fim de tarde
Num Dia de Finados.

Talvez seja pena e não espada,
Com suavidade se aprofunda mais,
Com suavidade se eleva ainda mais...
Talvez não seja força...
Talvez seja elegância e leveza,
Talvez seja apenas amor sublime
E beleza da alma,
É nada mais.

José Nunes Pereira




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