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A realidade imutável

Poesia Imparcialista


Ultramoderno

Minha avó pós-moderna
Separou de meu avô contemporâneo
Que está ficando com uma garota
Bem mais enxuta que minha avó.
Meu avô metrossexual está fazendo musculação,
Fez aumento peniano e abdominoplastia,
Comprou uma Harley-Davidson;
Caiu na estrada com sua garota quarentona.

Minha avó ultramoderna,
Deu uma recauchutada geral;
Fez lipoaspiração, labioplastia,  
Colocou prótese de mama e prótese no glúteo,
Fez lifting facial,  rinoplastia, otoplastia, infoplastia,
Ectomia, pexia, rafia, scopia, tomia e outros sufixos.
Minha avó parece uma boneca (inflável)

Minha avó ainda fez novas amizades;
Agora é frequentadora assídua do clube das mulheres,
Minha avó paga pelo sexo com a emancipação que a indústria,
O consumismo, o capitalismo, a guerra, a pílula e a ciência,
Deu para as mulheres; com o altíssimo custo da família,
Da espiritualidade, dos valores humanos, da demolição do homem,
Da destruição do planeta e da essência humana.

Temos a sociedade do prazer, da superficialidade,
Do espetáculo, do sexo fácil, do entretenimento, do imediatismo,
Do consumismo e do apego materialista, da liberdade exacerbada,
das conveniências segundo nossos caprichos sexuais,  
que mataram a consciência de transitoriedade da vida.

Sim, estou parecendo um filósofo estoico cristão, 
com tanto realismo cruel,
mas sou mesmo um poeta imparcialista
e me pareço as vezes um tanto estoico 
porque não há tempo que transcende a verdade imutável.  

A vida é mutável dentro de uma imutabilidade,
feito as nuvens que são tão mutáveis, 
porém são sempre nuvens 
dentro de uma imutabilidade de ser, 
feito a natureza que morre e nasce 
dentro de uma leis que faz a natureza ser o que é,
dentro das lei da vida e da morte,
em seu ciclo constante. 

Se a vida não fosse mutável dentro de uma imutabilidade
seria caos. 

Nunes

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